30 - janeiro - 2018

Ao menos 61% da Câmara prejudica agenda socioambiental no campo

Nílson Leitão (dir.) com Michel Temer; líder da bancada ruralista é o deputado mais nocivo aos direitos difusos, segundo ferramenta (Foto: Beto Barata/PR)
Nílson Leitão (dir.) com Michel Temer; líder da bancada ruralista é o deputado mais nocivo aos direitos difusos, segundo ferramenta (Foto: Beto Barata/PR)

DA PÁGINA 22 – A organização Repórter Brasil lançou hoje (30) uma ferramenta interativa para medir o comportamento dos deputados federais eleitos em 2014 no que se refere à agenda socioambiental no campo, que engloba conservação ambiental, direitos dos trabalhadores rurais e defesa de comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas.

Batizada de Ruralômetro – Medindo a febre dos ruralistas na Câmara dos Deputados, a ferramenta utiliza um termômetro para medir o desempenho dos parlamentares. Quanto pior o impacto socioambiental dos projetos que o parlamentar votou ou propôs, mais alta é sua temperatura.

Segundo informações divulgadas pela assessoria de imprensa da Repórter Brasil, o Ruralômetro indica que pelo menos 313 deputados federais, ou 61% da Câmara, têm atuação parlamentar – em votações ou na elaboração de projetos de lei – desfavorável à agenda socioambiental.

O levantamento avaliou 131 projetos de lei cujos autores são deputados eleitos em 2014 e 14 votações nominais, em que deputados registram seu voto. Todos apresentam algum tipo de impacto ao meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais.

Além da pontuação dos deputados, mostra quem recebeu financiamento de campanha, em 2014, de empresas autuadas pelo Ibama ou que já entraram no cadastro de empregadores flagrados por mão de obra análoga à de escravo – conhecida como “lista suja do trabalho escravo”, publicada desde 2003 pelo Ministério do Trabalho.

Segundo o levantamento, 57% dos eleitos receberam, ao todo, R$ 58,9 milhões em doações de empresas autuadas pelo Ibama por cometerem infrações ambientais. Outros 10% foram financiados com R$ 3,5 milhões doados por empresas autuadas por trabalho escravo.

A ferramenta ainda permite ainda ver quais são os deputados eleitos em 2014 que foram multados pelo Ibama por infrações ambientais e quantos parlamentares possuem empresas que não repassaram, à Previdência Social, a contribuição previdenciária referente a seus trabalhadores.

O impacto de cada projeto ou votação foi avaliado por oito organizações que defendem os interesses do meio ambiente, comunidades tradicionais e trabalhadores rurais: Instituto Socioambiental (ISA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Confederação Nacional dos Trabalhadores Assalariados Rurais (Contar), Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), Greenpeace e Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente. (AMÁLIA SAFATLE)

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