25 - abril - 2019

Cientistas e índios se unem para pedir à UE pressão comercial sobre Brasil

607 pesquisadores e duas organizações indígenas pedem em carta na revista Science que acordo comercial seja condicionado a critérios ambientais

Queimada na Amazônia
(Foto: Daniel Belta/ Greenpeace)
Queimada na Amazônia (Foto: Daniel Belta/ Greenpeace)

DO OC – A revista Science, um dos dois periódicos científicos mais importantes do mundo, chega às bancas nesta sexta-feira (26) com um apelo maciço da comunidade científica europeia aos governos do continente: não deixem que o desmonte ambiental do governo Bolsonaro passe impune nas relações comerciais.

Uma carta assinada por 607 cientistas de todo o continente e pelas organizações indígenas Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) e Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, membro do OC) pede à União Europeia que condicione o acordo comercial que vem negociando com o país (via Mercosul) ao cumprimento de critérios socioambientais.

“Ao trabalhar no sentido de desmantelar as políticas contra o desmatamento, a nova administração do Brasil ameaça direitos dos indígenas e as áreas naturais que eles protegem”, afirma a carta, numa crítica à gestão ambiental do governo e às sucessivas investidas que Bolsonaro tem feito contra a Funai e as terras indígenas.

O grupo, que tem entre seus líderes o brasileiro Tiago Reis, da Universidade Católica de Louvain (Bélgica), propõe que a UE condicione as negociações comerciais a três fatores: o cumprimento da Declaração da ONU sobre Direitos Indígenas, a melhora dos processos de rastreamento de commodities e a consulta aos indígenas e comunidades locais para definir critérios socioambientais para commodities.

A carta e a lista de signatários estão disponíveis no site da Science.

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