Europa promete parar de fazer termelétricas a carvão em 2020

Por que o anúncio do fim da indústria carvoeira pela União Europeia é uma demonstração de que o planeta caminha para um mundo mais sustentável, apesar de Trump

Foto: Usina de carvão no Reino Unido. Greenpeace UK
Foto: Usina de carvão no Reino Unido. Greenpeace UK

 DO OC

As empresas de energia da Europa se uniram em torno de uma decisão histórica. A Eurelectric, associação do setor da eletricidade no continente, assinou um compromisso m nome de 3.500 empresas se comprometendo a não autorizar a construção de nenhuma nova usina depois de 2020. Segundo informou o jornal The Guardian, apenas Polônia e Grécia ficaram de fora.

O anúncio foi feito em uma entrevista coletiva em Bruxelas e teve como objetivo reforçar a missão do continente de contolar as emissões de gases de efeito estufa. De acordo com o secretário-geral da Eurelectric, Kristian Ruby, o grupo assumiu o compromisso de fornecer 100% de eletricidade neutra em carbono até 2050.

A inauguração de novas usinas caiu mais de 60% em todo o mundo no ano passado. Diminuir o ritmo de construção, no entanto, já não resolve o problema. É preciso desativar esse modelo de produção de energia. Para cumprir as metas de emissão, a industria carvoeira não pode mais existir até 2030.

As tecnologias elétricas tem sido uma alternativa natural aos sistemas baseados em combustíveis fósseis, especialmente no setor de transporte. De acordo com a comissária europeia da indústria, Elżbieta Bieńkowska, os veículos a diesel tendem a desaparecer mais cedo do que o esperado. Os prefeitos de Paris, Madri e Atenas devem proibir veículos a diesel. E o prefeito de Londres vai sobretaxá-los na capital.

A mobilização é mais do que necessária. Restam penas quatro anos de emissões no ritmo atual para atingirmos o teto do nosso orçamento de carbono. Se formos além, não será possivel manter a temperatura global em torno de 1,5oC, de acordo com uma análise do site britânico Carbon Brief, que atualizou os dados de orçamento de carbono do IPCC (o painel do clima da ONU) com os números de emissão de 2016.

A voz de Donald Trump, felizmente, não tem persuadido outras autoridades-chave na luta contra as mudanças climáticas. O governador Jerry Brown, da Califórnia, assim como centenas de empresas têm apostado em grandes projetos em direção a uma economia de baixo carbono.

A China vê na eleição de Trump uma oportunidade para se tornar um líder global do clima. O governo chinês afirmou que o país vai cumprir seus compromissos internacionais. Hoje, a juventude chinesa está mais preocupada com a mudança climática do que qualquer outra ameaça, sugerindo que a ação climática chinesa só vai se intensificar com o tempo. A Suécia estabeleceu um prazo para neutralizar suas emissões e a Índia caminha na implantação de energia renovável, embora o carvão ainda seja a principal fonte de eletricidade.

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