G19 isola EUA e avança na agenda de clima; Brasil é coadjuvante

Temer cumprimenta Trump na cúpula do G20.  Grupo  isolou os EUA e produziu, pela primeira vez na história do bloco, um plano de ação sobre mudança do clima energia
Temer cumprimenta Trump na cúpula do G20. Grupo isolou os EUA e produziu, pela primeira vez na história do bloco, um plano de ação sobre mudança do clima energia

NOTA DO OBSERVATÓRIO DO CLIMA SOBRE OS RESULTADOS DA CÚPULA DO G20 EM HAMBURGO

08/07/2017

Os líderes de 19 das 20 maiores economias do mundo reafirmaram neste sábado seu compromisso com a luta contra o aquecimento global. Mais do que isso, reconheceram que as energias limpas e a eficiência energética são motores cruciais do crescimento econômico neste século.

Sob liderança da chanceler alemã, Angela Merkel, o G20 isolou os Estados Unidos e produziu, pela primeira vez na história do bloco, um plano de ação sobre mudança do clima e energia. Embora não faça nenhuma referência ao aumento da ambição os compromissos nacionais – algo fundamental para atingir a meta de estabilizar o aquecimento da Terra bem abaixo de 2o C –, o documento dá um recado claro: o Acordo de Paris é irreversível e irrefreável. A transição para uma economia de baixo carbono já começou, ainda que o governo de Donald Trump insista nos combustíveis fósseis.

O Brasil, representado pelo presidente Michel Temer, foi coadjuvante nas discussões. Embora Temer tenha reafirmado seu “engajamento pessoal” com o Acordo de Paris e com a proteção de florestas, a realidade doméstica vai no sentido oposto: o Plano Decenal de Energia 2026, posto em consulta pública nesta sexta-feira enquanto Temer discursava sobre clima, ainda prevê 70,5% de investimentos em combustíveis fósseis, o que mantém a proporção do plano anterior, da gestão Dilma Rousseff, e a prioridade aos combustíveis fósseis, em especial ao pré-sal. E o alinhamento do presidente com a bancada ruralista tem conduzido a retrocessos na agenda ambiental, como a anistia à grilagem e a sinalização da redução de áreas protegidas, que levam ao aumento do desmatamento – e das emissões do país, que cresceram no primeiro ano de mandato de Temer.

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