G20 perderá meta de Paris, diz relatório

Cortes propostos são “longe do suficiente” e devem ser seis vezes mais expressivos até 2030 para
impedir um aquecimento global além de 2ºC, reporta estudo na véspera da reunião do G20

Reunião do G20 no ano passado, na Turquia (Foto: Wikipedia)
Reunião do G20 no ano passado, na Turquia (Foto: Wikipedia)

KARL MATHIESEN
DO CLIMATE HOME

Enquanto os líderes do G20 se preparam para reafirmar seus compromissos com o Acordo de Paris neste fim de semana na China, um relatório informa que as promessas de cortes na emissão de carbono precisam ser seis vezes mais significativas para impedir um aquecimento global acima de 2ºC.

O grupo das nações mais ricas do mundo se reunirá no próximo domingo em Hangzhou, onde se espera que a China e os Estados Unidos sejam os primeiros a ratificar o acordo. Enquanto os compromissos de Paris limitam o aquecimento a “bem menos que 2ºC”, um relatório da rede Climate Transparency afirma que a meta não será atingida a não ser que todos os membros do G20 realizem cortes mais expressivos em suas emissões.

Os compromissos atuais com o acordo estabelecem diminuição de 15% das emissões projetadas até 2030, mas o relatório aponta que a ambição está “longe do suficiente”: um limite de 2ºC exigiria um corte seis vezes maior no mesmo período.

Apesar de sinais positivos, as mudanças ainda estão demorando a acontecer. Quando se fala em alterações climáticas, o G20 é o grupo de nações mais importante do mundo, responsável por 3/4 das emissões de gases de efeito estufa. Apesar de o crescimento dessas emissões estar desacelerando, elas ainda não estão caindo.

“Apesar do fim do crescimento de emissões globais ser uma possibilidade, ainda não existe a dinâmica necessária para transformar a economia baseada em combustíveis fósseis em uma economia verde”, afirmou Alvaro Umaña, co-presidente do Climate Transparency, e ex-Ministro de meio ambiente e energia da Costa Rica, pioneira em energia renovável.

Essa diminuição está se dando, em parte, por uma revolução renovável. O uso de energia limpa cresceu 18% dentro do G20 desde 2008. Os países mais atraentes para investimentos em energia renovável são China e Índia, grandes emissores de carbono.

“Este é um bom sinal”, afirmou Jan Burck, do Germanwatch, um dos autores do relatório. “Essas são as economias cujas transições terão maior impacto no clima global.”

Mas o encorajamento para investidores não foi geral, afirmou. “A dependência francesa da energia nuclear está barrando a emergência das fontes solares e eólicas, e o corte na energia renovável proposto pela Alemanha é preocupante.”

Além disso, os cortes prematuros aos subsídios pelo governo do Reino Unido causaram uma perda de empregos significativa na indústria solar, de mais de metade de seus funcionários. O governo australiano está tentando aprovar leis que permitam o corte de US$ 1 bilhão de seu fundo de inovação renovável.

Entre notícias mais encorajadoras, o comércio de carbono tem despontado a níveis nacionais e provinciais, contrariando a crença de que não obteria sucesso fora de um quadro de políticas globais específico (apesar de seu preço ser geralmente baixo demais).

De um modo geral, a intensidade energética e de carbono das economias do G20 estava em declínio, porém não o suficiente para compensar o crescimento econômico, o que significa que a poluição por carbono continuou a crescer.

Como já foi observado, milhares termelétricas a carvão em diversos estágios de planejamento ou construção espalhadas pelo G20 são simplesmente incompatíveis com o Acordo de Paris.

O G20 é responsável por 93% do uso de carvão, de acordo com o Carbon Brief. Niklas Höhne, do New Climate Institute e coautor do relatório afirmou: “Se os países do G20 se livrassem de sua dependência do carvão, isso impactaria significativamente suas possibilidades de aumentar seus compromissos com o clima e diminuir suas emissões no caminho para a meta de menos que 2ºC”.

Porém, ao invés de focar seus esforços em diminuir a dependência de carvão, petróleo e gás natural, os países do G20 continuam investindo dinheiro público em subsídios a combustíveis fósseis. Estes chegaram a aproximadamente US$ 70 bilhões entre 2013 e 2014, de acordo com o relatório.

Muitos países investem significativamente mais nessas indústrias do que em alternativas renováveis, apesar do compromisso do G20 em diminuir esse apoio. Espera-se, com incredulidade, que a reunião na China resulte em um prazo claro para o fim aos subsídios.

Este texto foi publicado originalmente no site Climate Home e é republicado pelo OC por meio de uma parceria de conteúdo.

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