23 - May - 2017

Governo e Congresso dão ‘1 DF’ à grilagem

Nota do Observatório do Clima sobre aprovação pelo Senado das Medidas Provisórias 756 e 758, que mutilam 597 mil hectares de áreas protegidas no Pará e em Santa Catarina

Motosserra inflável em frente ao Congresso durante ação do Greenpeace (Foto: Leonardo Milano/Greenpeace)
Motosserra inflável em frente ao Congresso durante ação do Greenpeace (Foto: Leonardo Milano/Greenpeace)

NOTA À IMPRENSA – 23/05/2017

O governo e o Congresso acabam de entregar à grilagem  uma área equivalente à do Distrito Federal em florestas na Amazônia e na Mata Atlântica. Em meio à turbulência gerada pela pior crise política deste governo, o Senado Federal aprovou nesta terça-feira as Medidas Provisórias nos 756 e 758, que desprotegem uma área de 597 mil quilômetros quadrados de duas unidades de conservação no Pará e uma em Santa Catarina.

As MPs são um tapa na cara da sociedade brasileira. Nunca antes na história do país uma área tão grande de parques e florestas nacionais havia sido cortada – e por iniciativa do próprio Presidente da República e de seus ministros, que propuseram as MPs. O Congresso, que tem 30% de seus membros eleitos com ajuda da JBS, encarregou-se de piorá-las.

O primeiro efeito disso será um recrudescimento das taxas de desmatamento, já que reduzir áreas protegidas sinaliza para os grileiros que agora vale tudo. A devastação cresceu 60% na Amazônia em 2015 e 2016 e deve aumentar também em 2017.

O segundo efeito será jogar na lata do lixo os compromissos internacionais do Brasil, que gosta de se vender no exterior como parte da solução para a crise do clima e agora torna-se, mais uma vez, parte do problema. Isto, por sua vez, terá impacto direto sobre a imagem do agronegócio brasileiro no exterior: o velho Brasil das queimadas, do trabalho escravo e da violência no campo está de volta.

O Observatório do Clima exige do Presidente da República o veto integral a este escárnio. Nenhum hectare a menos!

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