30 - outubro - 2019

Greenpeace protocola ação no STF contra Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente acusou o Greenpeace de ser responsável pelo derramamento de óleo no litoral nordestino. Confira a nota.

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DO GREENPEACE

O Greenpeace protocolou, na tarde desta quarta-feira, 30 de outubro, uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Na referida ação, reclamamos queixa crime contra o Sr. Ministro por este ter, em ao menos três oportunidades e de forma contínua, praticado crime de difamação contra a organização. São elas:
● Expressar que os ativistas do Greenpeace são “ecoterroristas” e depredadores do patrimônio público;
● Aplicar o adjetivo “terroristas” para novamente se referir a integrantes da organização, ao compartilhar notícia sobre entrevista concedida ao CB.Poder; e
● Insinuar que o navio de trabalho do Greenpeace seria responsável pelo derramamento de óleo no litoral, atribuindo à organização a alcunha “

Ministros de Estado devem apresentar postura pública à altura do cargo que ocupam. Acusações levianas e irresponsáveis, vindas de tais autoridades, constituem fato grave e não podem ser normalizadas. O processo que ora iniciamos contra o Sr. Ministro é também uma forma de repúdio por tais comportamentos.
Vivemos um momento grave para o meio ambiente no Brasil. O derramamento de óleo que assola a costa do Nordeste faz vítima todo o país. É inconcebível que, neste cenário de emergência social e ambiental, exatamente o ministro do Meio Ambiente tenha tempo e disposição para levantar falsas acusações nas redes sociais. Ao invés disso, o Sr. Ministro, assim como todo o governo, deveria concentrar esforços em prestar assistência à população atingida, além de promover a recuperação dos gravíssimos danos ambientais.
Infelizmente, ataques à terceiros por parte de integrantes do governo tem sido uma prática recorrente, como recentemente pudemos verificar nas insinuações de que ONGs e indígenas estariam vinculados às queimadas na Amazônia, ou ainda no episódio que resultou na demissão do pesquisador Ricardo Galvão da presidência do INPE, entre outras.
Ressaltamos que o processo movido pelo Greenpeace ocorre no pleno respeito às normas legais vigentes no país e é antes de tudo um ato de fortalecimento da democracia, por não compactuar com abusos daqueles que ocupam cargos de privilegiado poder no Estado brasileiro.
O Greenpeace chegou ao Brasil em 1992, junto com a ECO 92, mesmo ano da criação do Ministério do Meio Ambiente. Desde então, atuamos de forma pacífica e apartidária na defesa do meio ambiente. Somos uma organização independente e não recebemos dinheiro de governos, partidos políticos ou empresas. Continuaremos com uma postura crítica, pacífica e de valorização da democracia, pressionando os governantes para que atuem pela proteção do meio ambiente e dos direitos individuais e coletivos.

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