23 - December - 2019

Helder não pode se omitir frente à criminalização de ativistas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nota do Observatório do Clima

Uma semana depois de o governador Helder Barbalho (MDB) ir à COP25 pedir dinheiro para a proteção da Amazônia, a Polícia Civil do Pará, a ele subordinada, indiciou os brigadistas voluntários presos em novembro por suspeita de envolvimento com queimadas criminosas numa área protegida em Alter do Chão. O indiciamento é uma farsa, como foram a prisão dos brigadistas e o inquérito contra eles. O governador não pode se omitir diante dela.

Helder sabe pelo menos desde setembro quem foram os verdadeiros responsáveis pelos incêndios. Como amplamente noticiado, o governador foi avisado pelo prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), de que se tratava de quadrilhas de grileiros, possivelmente com participação de policiais. Nenhuma relação com os brigadistas do Instituto Aquífero, nem com o Projeto Saúde e Alegria, que teve seu escritório invadido numa pantomima até agora sem explicação. As investigações federais tampouco trouxeram indício de envolvimento dos ambientalistas.

Como também noticiado pela imprensa, o indiciamento foi feito com base em depoimentos de pessoas que não apenas não testemunharam os supostos crimes, como também têm conflito de interesses. Tudo aponta para um conluio com intuito de criminalizar os protetores da floresta e deixar impunes os culpados.

Tal fraude atende diretamente ao desejo do presidente Jair Bolsonaro de transformar a mentira por ele enunciada de que “ONGs queimam a Amazônia” numa profecia autorrealizável.

No entanto, ela abre um precedente fatal para violações do Estado de direito no Pará e no Brasil. E mina a credibilidade do governo do Estado em busca de fundos internacionais para o desenvolvimento sustentável da Amazônia paraense.

O partido de Helder, o MDB, surgiu da luta pela redemocratização do Brasil – processo do qual seu pai participou. Seria tristemente irônico ver o governador silenciar diante de tamanho golpe na verdade e na democracia.


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