19 - November - 2020

MMA exclui informações sobre áreas protegidas de novo site

Somente programas da atual gestão foram listados; pasta fala em “atraso de migração”

Reserva Biológica do Maicuru, no Pará (Foto: Semas/PA)
Reserva Biológica do Maicuru, no Pará (Foto: Semas/PA)

DO OC – No dia em que o Ministério do Meio Ambiente completou 28 anos, o “presente” foi apagar o passado. O órgão comemorou a data nesta quinta-feira (19/11) lançando um novo site, que foi ao ar sem a maior parte das informações, registros e dados históricos disponíveis há anos na página antiga.

A situação pegou servidores de surpresa. Ele viram sistemas com o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação, atualizado frequentemente por Estados e municípios, apagados do site. Entre os outros itens que não migraram para o novo portal estão mais de 30 livros sobre a biodiversidade, o macrodiagnóstico da zona costeira e marinha, cartilhas referentes ao patrimônio genético, entre outros.

Em resposta à inquietação dos servidores, a área de informática do MMA afirmou que não houve perda de informação e que isso faz parte do processo de migração. Explicaram, ainda, que quando for concluído, as informações estarão disponibilizadas novamente.

O “processo de migração”, porém, não parece ter afetado os programas da atual gestão do MMA. Quem for ao site novo na área de “áreas protegidas e ecoturismo” encontrará links apenas para duas iniciativas do atual ministro: a concessão de parques nacionais (que começou no governo Dilma, mas ganhou ênfase no atual) e o Adote 1 Parque, que nem sequer existe. No site antigo havia links para sete iniciativas, entre elas o cadastro nacional de UCs, as diretrizes para reduzir a perda de biodiversidade e a câmara de compensação ambiental.

Eu era assim...

Eu era assim…

...fiquei assim

…fiquei assim

Somente após a publicação desta notícia foi que a assessoria de comunicação do ministério postou um aviso na homepage com o link para o site antigo (antigo.mma.gov.br), o que não estava informado até a manhã de sexta-feira.

Não é a primeira vez que informações desaparecem da página do MMA. Em abril de 2019, todos os dados sobre áreas prioritárias para a conservação foram eliminados do site após entidades empresariais reclamarem deles. Segundo o portal Direto da Ciência, a ordem para a supressão foi dada pela então secretária-executiva do MMA, Ana Pellini. Após a cobertura de imprensa do caso, as páginas foram repostas.

Questionada, a assessoria de comunicação do MMA não souber dar um prazo sobre quando o processo será finalizado. Enquanto isso, os dados e arquivos estão acessíveis somente no endereço antigo do site.

* Atualizado às 13h do dia 21/11 com a informação sobre o site antigo.

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