18 - janeiro - 2019

Nomeação de Colatto é mais um sintoma do desmonte ambiental do governo Bolsonaro

Ruralista será primeiro diretor do Serviço Florestal Brasileiro sem nenhuma experiência na área

O ex-deputado Valdir Colatto - Foto: Lucio Bernardo Jr. - Câmara dos Deputados
O ex-deputado Valdir Colatto - Foto: Lucio Bernardo Jr. - Câmara dos Deputados

NOTA DA COORDENAÇÃO DO OBSERVATÓRIO DO CLIMA

A nomeação do ex-deputado Valdir Colatto como diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro é desastrosa para o meio ambiente e para a imagem do agronegócio nacional. Colatto, no entanto, é sintoma, e não causa. O simples fato de um ideólogo sem nenhuma experiência em gestão florestal ter sido cogitado para assumir as florestas públicas brasileiras e o Cadastro Ambiental Rural é mais uma indicação de que a agenda do presidente Jair Bolsonaro é de submeter a agenda ambiental à agrícola e não harmonizar as duas, como ele disse que faria.

Um dos membros mais radicalmente ideológicos da bancada ruralista, Colatto tem uma extensa ficha de desserviços prestados ao meio ambiente e à imagem do produtor rural. Além de propor um projeto de lei para liberar a caça de animais silvestres, foi um dos principais responsáveis pela tentativa de suprimir as áreas de preservação permanente durante a flexibilização do Código Florestal, em 2012.

Também tem atuado consistentemente para adiar, pelo quinto ano seguido, o início da vigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR), momento em que produtores que não tenham aderido a programas de regularização ambiental perderão acesso a crédito. Se há floresta, Colatto é contra.

Como diretor do SFB, o ex-deputado será responsável pela implementação do CAR – a proverbial raposa cuidando do galinheiro. O governo Bolsonaro já havia dado a senha para neutralizar o CAR e a aplicação do Código Florestal ao retirar o SFB do Ministério do Meio Ambiente e anexá-lo à pasta da Agricultura. A nomeação de Colatto completa o desmonte.

O setor agropecuário responde por quase 25% do PIB brasileiro, direta e indiretamente, e rendeu R$ 96 bilhões em exportações em 2017, garantindo o superávit da balança comercial. O Brasil tem se vangloriado não apenas de uma produção competitiva, como também da sustentabilidade de suas commodities agrícolas. O Serviço Florestal de Bolsonaro, com um agroxiita à frente, põe o “agro pop” na berlinda diante de mercados preocupados com compliance e indicadores sociais e ambientais, criando com isso ameaças às nossas exportações. Mais um caso de ideologia à frente do interesse nacional.

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