25 - fevereiro - 2019

OC lamenta morte de Paulo Nogueira-Neto

Ecólogo paulista, de 96 anos, foi o primeiro a chefiar a Secretaria Nacional de Meio Ambiente, atual Ministério do Meio Ambiente

O ecólogo Paulo Nogueira-Neto (Foto: Mostra Ecofalante)
O ecólogo Paulo Nogueira-Neto (Foto: Mostra Ecofalante)

O Observatório do Clima lamenta profundamente a morte do ecólogo Paulo Nogueira-Neto, aos 96 anos, nesta segunda-feira (25). PNN, como era conhecido, era o mais importante ambientalista brasileiro.

Nogueira-Neto nasceu no bairro de Higienópolis, em São Paulo, em 1922. Descendente de José Bonifácio – considerado o patrono do ambientalismo no Brasil – foi um dos fundadores daquilo que viria a se tornar o Ministério do Meio Ambiente. Em 1973, em plena ditadura militar, ele participou da criação da Secretaria do Meio Ambiente, então vinculada ao Ministério do Interior. Foi convidado por Henrique Brandão Cavalcanti para ser secretário e aceitou. No ano seguinte, passou a planejar a criação de estações ecológicas, um tipo de área protegida destinada exclusivamente à conservação e à pesquisa.

Nestas mais de quatro décadas dedicadas à conservação, protagonizou ou testemunhou conflitos e avanços e elaborou a lei da Política Nacional de Meio Ambiente, de 1981, a pedra angular da legislação ambiental brasileira. Foi também membro da Comissão Brundtland, que em 1987 apresentou o conceito de desenvolvimento sustentável.

Um de seus legados mais atuais era a ideia de que a defesa do meio ambiente não tem ideologia nem partido. Como escreveu em seu diário: “Não podemos concordar com a ideia de que os que se preocupam com a poluição sejam considerados subversivos ou mesmo simples oposicionistas. Poluição nada tem a ver com política partidária.”

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