08 - agosto - 2019

Relatório sobre uso da terra indica oportunidades e responsabilidade para o Brasil

Nota do Observatório do Clima sobre o novo documento do IPCC, o painel do clima da ONU

Boiada em Mato Grosso (Foto: Zig Koch/WWF)
Boiada em Mato Grosso (Foto: Zig Koch/WWF)

PRESS RELEASE

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) lançou nesta quinta-feira (8) em Genebra seu relatório especial sobre Mudança Climática e Terra. O sumário executivo deixa clara a importância de combater o desmatamento, promover recuperação florestal, mudar práticas agrícolas e frear a degradação das terras no mundo inteiro como medidas capazes tanto de combater a mudança do clima quanto de promover a adaptação da sociedade a elas.

Segundo o relatório, a redução do desmatamento e da degradação tem o potencial de reduzir até 5,8 bilhões de toneladas de CO2 por ano no mundo. Detentor da maior floresta tropical do planeta, o Brasil pode responder por parte importante dessa redução – se governo e sociedade fizerem sua parte.

Há também oportunidades para o Brasil nos setores de bioenergia sustentável e recuperação florestal, vistos pelo IPCC como peças importantes para o atingimento da meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global em 1,5oC, e na agropecuária. O sistema alimentar, que responde por até 37% das emissões de gases de efeito estufa do planeta, pode ser um instrumento de resposta à mudança do clima, com tecnologias agrícolas que o país já utiliza, ganho de eficiência e mudanças de dieta de modo a incluir mais vegetais.

Em todas essas áreas o Brasil tem vantagens competitivas e pode se tornar um líder global em produção com redução de emissões, como o Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono preconiza há uma década.

Por outro lado, o IPCC também faz um alerta: a demora do mundo em atacar decididamente a crise do clima pode fará com que as soluções baseadas no uso da terra fiquem menos eficientes, já que o aquecimento da Terra induz à degradação dos ecossistemas e à perda de produtividade agropecuária.

“São dois recados poderosos para o governo brasileiro”, diz Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Ao negar o aquecimento global e estimular o desmatamento da Amazônia, a administração de Jair Bolsonaro está rasgando dinheiro, já que o sistema alimentar será reorientado para atividades de baixo carbono que o Brasil tem potencial de liderar. Ao mesmo tempo, ao aderir à ideologia obscurantista de Donald Trump, o presidente do Brasil desperdiça oportunidade de negócios, inovação e investimento nesse novo setor de uso da terra que o relatório do IPCC delineia.”

Segundo Rittl, a explosão do desmatamento na Amazônia nos últimos meses está na contramão de todas as conclusões do relatório. “A atitude do governo brasileiro em relação às florestas, questionando as medições do desmatamento em vez de agir contra ele são um desastre ambiental, ético e econômico.”

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