Tá frio aqui, mas, só pra lembrar, o planeta segue aquecendo

Meme postado por moradores friorentos de Belo Horizonte em 4 de julho de 2017
Meme postado por moradores friorentos de Belo Horizonte em 4 de julho de 2017

DO OC – Os moradores de Belo Horizonte amanheceram nesta terça-feira (04) desejando um pouquinho de aquecimento global. A cidade amanheceu com temperatura mínima de 9,4oC, a menor desde 1975. Uma das estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia na região alta da cidade marcou 6,1oC. Foi a deixa para uma enxurrada de memes na internet, com fotos de lugares nevados com legendas como “Lagoa da Pampulha” e “Avenida Afonso Pena”.

Em Brasília, a mínima chegou a 8,5oC, a menor desde 2006, e a máxima não chegou a 20oC. Por todo o Centro-Sul, e mesmo em alguns lugares da Amazônia, os termômetros despencam neste início de inverno, por conta de massas de ar frio potentes vindas dos mares antárticos.

Nós nem deveríamos precisar repetir isso aqui, mas por via das dúvidas vamos lá: não, o frio no Brasil não significa que 2017 não esteja batendo recordes de temperatura, nem que o clima não esteja mudando. Os moradores de Ahvaz que o digam.

Essa cidade no sudoeste do Irã registrou na última semana o recorde de temperatura deste século. Seus termômetros atingiram a marca de 53.7° C, provavelmente a maior máxima já medida com termômetros no planeta em décadas, superando os recordes anteriores em Mitribah, no Kuwait, no ano passado, e do Death Valley, na Califórnia, em 2013 (o vale registrou em 1913 a maior temperatura já medida na Terra, 56,7oC).

Vários lugares da Europa tiveram recordes de temperatura em maio e junho. O calor ultrapassou os 40oC na Península Ibérica, o que contribuiu para a gravidade do incêndio florestal em Portugal, que matou dezenas de pessoas. Nos EUA, a cidade de Phoenix teve 47,8oC, e Las Vegas ghegou a 47,2oC.

Temperaturas ano a ano, segundo a NOAA; 2017 é a linha mais escura

Temperaturas ano a ano, segundo a NOAA; 2017 é a linha mais escura

Segundo a Organização Meteorológica Mundial, 2017 foi, de janeiro a maio, o segundo ano mais quente da história. As temperaturas estão longe do insano 2016, mas bem acima do segundo colocado, 2015 – e, desta vez, sem El Niño para levar a culpa pelo calor extremo.

No Brasil, o verão registrou picos de temperatura e a sensação térmica  elevada em algumas regiões colocou em risco os mais vulneráveis, como crianças e idosos. No início deste ano, o município de Antonina, no Litoral do Paraná, teve sensação térmica de 59° Celsius. No Rio de Janeiro, a sensação térmica atingiu 48,6°C em Guaratiba, zona oeste da cidade. A  maior temperatura oficialmente registrada no país até agora, no entanto, foi de 44,7° Celsius na cidade de Bom Jesus, no Piauí, em 21 de novembro de 2005, pelo Instituto Nacional de Meteorologia.

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