Tiro, porrada e bomba no desmatamento

07/10/2015

Funkeira Valesca Popozuda parou o Congresso Nacional em sua primeira visita ao Parlamento,
para entregar petição de ambientalistas sobre desmatamento zero no país

Valesca Popozuda e Paulo Adário, do Greenpeace (esq.), durante ato em Brasília (Foto: Adriano Machado/Greenpeace)
Valesca Popozuda e Paulo Adário, do Greenpeace (esq.), durante ato em Brasília (Foto: Adriano Machado/Greenpeace)

DO OC

Valesca Popozuda fecha o tempo ao ser questionada sobre se estava achando o Congresso Nacional divertido. “Divertido? Não tem nada de divertido! Esse assunto é muito sério!”

A funkeira teve um dia de ativista ambiental nesta quarta-feira (08/10), ao ser convidada pelo Greenpeace para emprestar sua, digamos, eloquência a um ato pelo desmatamento zero. A ONG reuniu celebridades, Igreja Católica e representantes de povos indígenas para entregar na Câmara uma petição com 1,4 milhão de assinaturas, coletadas ao longo dos últimos três anos, para um projeto de lei de iniciativa popular para zerar o desmatamento em todo o país.

A proposição tem chance baixa de virar lei, dada a configuração atual do Congresso (dominado por ruralistas e presidido por Eduardo Cunha). Admitiu-o o deputado Sarney Filho (PV-MA), líder da Frente Parlamentar Ambientalista, que recebeu a petição juntamente com Fábio Ramalho (PV-MG), em sessão da Comissão de Legislação Participativa.

Mesmo assim, o ato chamou atenção para o tema – e a Popozuda parou o Congresso Nacional em sua primeira visita ao Parlamento. Aplaudidíssima no pequeno discurso que fez ao entregar simbolicamente a petição a parlamentares no Salão Verde da Câmara, a artista carioca teve depois dificuldade para sair do Parlamento: a fila das selfies ia de deputados e senadores a assessores, serventes, ongueiros e curiosos.

Entre uma foto com fã e outra, Valesca deu uma entrevista-relâmpago ao OC:

*

Como você entrou nessa história?

Eu represento no meu trabalho de 15 anos como funkeira, uma massa, que é a comunidade, o povo. Então, quando recebi esse convite para participar do desmatamento zero, aceitei, porque hoje eu sofro, e tenho uma família, meu filho, que tem 16 anos, uma afilhada que tem apenas quatro anos. E, se hoje a gente já sofre o que sofre, imagina daqui a 15 anos.

Você acha que é clara essa conexão entre floresta e água para as pessoas no lugar de onde você vem, a área urbana do Rio de Janeiro?

É claro para as pessoas quando elas começam a entender o que causa o desmatamento e o que ele por sua vez vem causar. Um dia, dois dias sem água, OK, a gente se vira. Mas o resto da vida? As pessoas têm que se conscientizar mais, não parar por aqui só. Levar para os meus fãs, conversar com eles nas redes sociais, sobre o desmatamento zero, mostrar o que é e o que buscamos com tudo isso, e ser feliz.

O que você acha que o Congresso vai fazer com isso?

É perda de tempo? Não, a gente não perdeu tempo. Viemos aqui sem baderna, sem violência. O quieto vence. Já que a gente trouxe para cá mais de 1,4 milhão de assinaturas, esperamos que isso vá para a frente. Não basta dizer que é lindo, maravilhoso, tá aprovado e virar as costas e deixar guardado no museu.

Por que esse tipo de mensagem é tão difícil de emplacar no mundo da cultura?

Hoje eu estou aqui, então o meu universo está representado.

Você faria música sobre isso?

Lógico!

Veja a cobertura completa do evento no site do Greenpeace.